A indefinição sobre quem vai ocupar a presidência do Banco do Brasil (BB) no governo do presidente interino Michel Temer joga incertezas sobre o processo sucessório na Previ, o fundo de pensão dos funcionários do banco estatal. Com a transição no governo federal, surgiram dúvidas no mercado sobre quais serão os executivos que o BB vai indicar para a diretoria e o conselho deliberativo da fundação. Além das indicações do banco, os associados da Previ também estão elegendo representantes para o fundo de pensão. A posse de indicados e eleitos será em 1º de junho. A Previ tem um sistema de governança em que patrocinador e participantes elegem seus representantes de forma paritária.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Em 31 de maio, vencem os mandatos de dois diretores indicados pelo BB na Previ: Marcus Moreira, de investimentos, e Renato Proença, de participações. Em condições normais, a tendência seria de recondução dos executivos para mais um mandato de quatro anos. Mas na transição política atual, o cenário pode mudar. “Se mudarem a diretoria do BB, podem querer mexer na Previ”, avaliou fonte. Outro interlocutor disse que, independentemente da situação na presidência do BB, o conselho diretor do banco, em decisão colegiada, fará as indicações para a Previ no prazo. E disse acreditar nas reconduções.
O BB também vai indicar um nome para o conselho deliberativo da Previ, espécie de conselho de administração, entre outras vagas. Não está em jogo o cargo do presidente da Previ, Gueitiro Genso, cujo mandato vence em 2018, nem dos diretores de administração e planejamento do fundo. A governança da Previ prevê trocas em parte dos cargos a cada dois anos.
Esse modelo foi criado para evitar rupturas e assegurar continuidade na gestão, mas tem criado ambiente de eleições permanentes na Previ gerando desgastes, acirramento de ânimos e dificuldade de aprovação de matérias, avaliou fonte.
A governança da Previ exige que o BB indique funcionários da ativa e associados ao fundo de pensão há, no mínimo, dez anos. A exigência tende a blindar a Previ de eventuais indicações políticas. A fundação terminou 2015 com patrimônio de R$ 156 bilhões. “Se há tranquilidade de o indicado ser funcionário do banco, há preocupação sobre a orientação política [do indicado]”, disse outra fonte. Em 2015, o Plano I da Previ, com ativos de R$ 148,8 bilhões em 31 de dezembro, fechou com déficit de R$ 16,13 bilhões. O déficit foi parcialmente revertido no primeiro trimestre com a alta da bolsa.
2015 foi um ano de “tempestade perfeita” para a Previ, com os principais ativos do Plano I, como a Vale, sofrendo variação negativa, e com o passivo do fundo sendo corrigido pelo aumento do INPC.
Esse cenário serve como pano de fundo para as eleições da Previ, que vão eleger representantes dos associados para a diretoria de seguridade da fundação e membros titulares e suplentes para duas vagas no conselho deliberativo, entre outros cargos. As eleições foram abertas em 13 de maio e vão até o dia 27. A posse de eleitos e indicados será no dia 1º de junho.
A Previ tem 202.520 participantes e é preciso quórum de 50% para que a eleição seja efetivada. Caso o número de participantes não seja atingido, serão convocadas novas eleições em 15 dias sem quórum mínimo. É possível votar pela internet ou pelo telefone, no caso dos aposentados, e pela intranet, se for funcionário ativo. As eleições dos representantes da Previ estão sendo marcadas por uma polarização semelhante à registrada no quadro político nacional. Cinco chapas de funcionários disputam as eleições, incluindo chapas de situação e de oposição, com representantes dos aposentados.
Este ano a eleição ganhou apelo nas redes sociais, com forte mobilização. Há quem entenda que esse movimento somado ao clima político possa levar a uma maior participação dos associados nas eleições. Mas o contencioso criado entre as diferentes chapas pode fragilizar a posição dos representantes eleitos na governança da Previ uma vez que essas vagas, na diretoria e no conselho, foram criadas para evitar eventuais abusos do BB. Há porém quem minimize essa posição: “Não necessariamente o eleito representa o interesse dos associados. Há quem trabalhe [entre os eleitos] por um projeto de poder, para beneficiar a si próprio ou a quem os apoia.” Entre as propostas das chapas, está a fixação de um “teto” de benefícios, que hoje não existe. A aposentadoria dos funcionários do BB é calculada com base em um percentual de 90% do salário dos últimos 36 meses. O receio é que o BB caminhe para equiparar os salários dos diretores aos de bancos comerciais (mais altos), o que poderia criar um desequilíbrio no Plano I.
http://www.valor.com.br//financas/4567883/indefinicao-no-bb-pode-influenciar-eleicao-na-previ
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