Mercado cobra definição para Petrobras

A falta de sinalização de Michel Temer sobre quem gostaria de ver no comando da Petrobras, no lugar de Aldemir Bendine, intriga o mercado. Analistas gostariam de uma indicação de que a estatal terá um nome técnico, com grande experiência no mercado de capitais ou empresas de grande porte. Apesar de oriundo da presidência do Banco do Brasil, a avaliação é de que Bendine é uma indicação política da presidente Dilma Rousseff e por isso não é concebível que ele permaneça no novo governo.

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O argumento de alguns membros do conselho de administração da Petrobras é de que uma troca neste momento seria mal vista porque consolidaria, para investidores, a constatação de que a empresa é orientada politicamente. Contudo, fontes do mercado financeiro e empresários ouvidos pelo Valor contestam a independência de Bendine.

Um deles lembrou que o atual presidente da Petrobras não foi escolhido por uma empresa de recrutamento de executivos, e foi uma escolha de Dilma em um momento em que o governo tinha dificuldades para escolher um nome com capacidade de conduzir o processo de entrega dos balanços da companhia em momento de stress com os auditores.

Os nomes falados até o momento não foram confirmados por Michel Temer e negam ter sido sondados. São eles o economista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE) e um dos autores do programa de energia de Aécio Neves na campanha do PSDB de 2014; e Jorge Camargo, ex-diretor da área internacional da Petrobras, ex-presidente da norueguesa Statoil no Brasil e presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo.

O ex-governador do Rio, Wellington Moreira Franco, muito próximo de Temer, também foi mencionado, porém não é considerado uma escolha provável, apesar de a maioria admitir, e até prever, que ele terá influência considerável na escolha e indicação de um novo presidente da Petrobras.

Os nomes de Pires e Camargo não têm objeções do mercado, apesar de uma certa interpretação de que a Petrobras precisará de alguém que faça “malvadezas” e que não tenha amigos na empresa, o que poderia dificultar por exemplo a gestão de Camargo. Já Adriano Pires tem uma receita para resolver os problemas da Petrobras que passa por reestruturação, com um brutal enxugamento da companhia, além de um programa de venda de ativos considerável junto com uma nova regulamentação setorial e, ainda, uma capitalização capaz de reduzir a alavancagem.

Soa como música nos ouvidos dos analistas, mas há quem avalie que justamente essas “virtudes” podem gerar objeções dentro do PMDB. “O problema do Adriano é ser muito ligado ao PSDB. Colocá-lo na empresa fortaleceria muito o partido [de Aécio] e Temer teria que negociar com o balaio de gatos que é o PMDB. Os aliados podem chiar porque querem se cacifar para disputar a presidência em 2018”, avalia um analista.

http://mobile.valor.com.br/empresas/4558879/mercado-cobra-definicao-para-petrobras

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