A Petrobras quer contratar a empresa de consultoria financeira Lazard para intermediar uma negociação com a Sete Brasil, segundo apurou o Valor. Os acionistas da Sete são contrários à proposta. Avaliam que já não houve consenso sobre a indicação de outros assessores financeiros que a Petrobras queria apontar (Rotschild e Brasil Plural). Os sócios da Sete estão satisfeitos com a assessoria da Alvarez & Marsal, que foi contratada recentemente pela empresa. E entendem que, para ocorrer uma mediação, é preciso existir uma proposta sobre a mesa, o que até agora a estatal não apresentou.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!A oferta de mediação feita pela Petrobras colocou como condição precedente que os sócios da Sete Brasil desistissem de ações judiciais contra a estatal. Até agora dois acionistas (EIG e Luce) entraram com ações contra a Petrobras.
A estatal também pediu garantias que outras ações não seriam impetradas, segundo fontes. Todos os sócios da Sete Brasil, com exceção da Petros, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, passaram a apoiar decisão em favor da recuperação judicial da petroleira na sexta-feira. Até então, Previ, o fundo de pensão dos empregados do Banco do Brasil, Bradesco e Santander eram contrários à recuperação, além da Petros. Na sexta, as três instituições mudaram de posição, deixando a Petros isolada.
Em nota, na sexta, a Petros disse que continua a acreditar em um acordo entre Petrobras e Sete Brasil. Sozinha, a Petros tem poder de vetar a aprovação da recuperação judicial pois tem 18% do FIP Sondas, o veículo que controla a Sete Brasil. Para aprovar a recuperação judicial, é preciso garantir quórum de 85% dos votos favoráveis dos acionistas à medida. Procurada, a Petrobras não se pronunciou. Criada para gerir um portfólio de sondas de perfuração para a Petrobras, a Sete Brasil está virtualmente paralisada e não paga os estaleiros contratados desde o fim de 2014.
Os sócios da Sete Brasil aportaram R$ 8,3 bilhões na empresa, que contratou financiamentos bancários de US$ 4,5 bilhões (cerca de R$ 17 bilhões). O maior credor é o Banco do Brasil, que concedeu à Sete financiamento de US$ 1,25 bilhão (R$ 4,75 bilhões). A Sete e os próprios acionistas da companhia parecem não saber como fazer para tirar a empresa do imobilismo. Existe tendência de que outros sócios da companhia entrem com ações judiciais contra a Petrobras.
Os sócios passaram a apoiar a ideia da recuperação judicial por uma questão fiduciária, segundo fontes, pois temem ser responsabilizados pelos seus próprios acionistas de não tomarem medidas em defesa de seus interesses. Existe a possibilidade que vários acionista da Sete venha a impetrar ação judicial conjunta contra a Petrobras no Brasil e no exterior. Vários dos sócios examinam ações judiciais contra a Petrobras. O projeto da Sete Brasil entrou em dificuldades depois que ex-executivos da companhia foram envolvidos nas denúncias de corrupção investigadas pela Operação Lava-Jato.
Fonte: Valor Econômico/Cláudia Schüffner e Francisco Góes | Do Rio
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