Déficit de fundos de pensão no vermelho dobra em 2015

fundos

Rombo cresce há 5 anos e atinge, sobretudo, fundos de pensão de estatais.
Das 307 entidades que administram fundos, 108 tiveram déficit.

O déficit dos fundos de pensão mais que dobrou em 2015, segundo dados divulgados nesta terça-feira (15) pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp).

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

Pelo segundo ano consecutivo, a soma dos resultados negativos de fundos que estão no vermelho superou o total de saldos superavitários. No acumulado em 2015, até novembro, o déficit foi de R$ 64,9 bilhões e o superávit de R$ 13 bilhões.

O déficit é a diferença entre o patrimônio de um plano e seus compromissos com pagamentos atuais e futuros.

Segundo o balanço, das 307 entidades que administram fundos de pensão no país, 108 apresentaram déficit no ano passado, 115 tiveram superávit e 84 tiveram equilíbrio.

EVOLUÇÃO DOS FUNDOS
Ano Superávit (em R$ bi) Déficit (em R$ bi)
2011 48,2 7,9
2012 55 9,1
2013 38,2 21,4
2014 27,6 31,4
2015 13 64,9

Em 2014, o déficit tinha sido de R$ 31,4 bilhões, no fechamento do ano, e o superávit de R$ 27,6 bilhões, sendo que 93 entidades  tinham apresentado déficit e 137 superávit.

Segundo José Ribeiro Pena Neto, diretor-presidente da Abrapp, o resultado em 2015 se deve principalmente ao crescimento do passivo e ao desempenho da rentabilidade dos investimentos no ano passado. “O resultado não é rombo e não é necessariamente produto de má gestão”, disse.

Ele estima que o setor feche o ano de 2015 com um déficit de R$ 70 bilhões ou mais e um superávit em torno de R$ 10 bilhões.

O rombo cresce há 5 anos e atinge principalmente fundos de pensão de estataiscomo o Postalis (Correios), Petros (Petrobras), Funcef (Caixa Econômica Federal) e Previ (Banco do Brasil).

Sistema reúne quase 7 milhões de brasileiros
Oferecidos por empresas públicas e privadas aos empregados e também por associações, os mais de 300 fundos de pensão em operação no país administram, atualmente, um patrimônio da ordem de R$ 730 bilhões. O número de brasileiros beneficiados pelo sistema é de quase 7 milhões, incluindo participantes, assistidos e dependentes.

Os fundos de pensão são opções de investimento para proporcionar uma aposentadoria complementar, como forma de aumentar os recursos recebidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O balanço de 2015 aponta que as 307 entidades fechadas de previdência complementar associadas à Abrapp pagam aposentadoria média de R$ 4.134 por mês.

Rentabilidade e solvência
O aumento do déficit resulta, em certa medida, da baixa rentabilidade dos investimentos dos fundos, de 7,3% em 2015 (até novembro), abaixo da meta atuarial de 15,98% necessária para garantir o pagamento das aposentadorias futuras.

Segundo a associação, apesar do crescimento do déficit, os fundos de pensão representam hoje uma solvência em torno de 90% (relação entre ativos e passivos) – semelhante à de países como Canadá e Irlanda e maior do que os Estados Unidos, que também contam atualmente com uma carteira de compromissos superior a de ativos.

“Mais importante do que o índice de solvência é olhar como estão as alocações no longo prazo e se o fluxo do passivo é compatível com o fluxo e rentabilidade dos ativos”, disse o presidente da Abrapp.

No acumulado nos últimos 10 anos, os ativos administrados fundos alcançaram uma rentabilidade acumulada de 216% contra uma meta atuarial de 213%.

A Abrapp atribuiu a queda de rentabilidade nos últimos anos à conjuntura econômica, lembrando que o principal índice da Bovespa amrgou em 2015 prejuízo pelo terceiro ano consecutivo, com queda de 13,3%.

Pena Neto destacou que a maior parte do déficit está concentrada nos grandes fundos de pensão e atribuiu o aumento dos passivos ao aumento da longevidade, às decisões judiciais que determinaram aumentos de benefícios não previstos e à redução das taxas de juros.

Perspectivas para 2016
Para 2016, a Abrapp a expectativa é de tentar ao menos evitar um agravamento do déficit. “Uma melhora depende muito de uma mudança na conjuntura econômica, do país voltar a crescer, das taxas de juros voltarem a cair e dos mercados melhorarem como um todo”, disse José Ribeiro Pena Neto.

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

Não perca nossas informações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.


Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading