Os fundos de pensão Previ, Petros e Funcef, sócios da OAS na Invepar, entraram na Justiça pedindo o adiamento do início do prazo que eles têm para exercer o direito de preferência de compra da participação de 24,4% da empreiteira na holding de infraestrutura. A notificação aos fundos foi feita no fim da semana passada.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!A petição foi protocolada no Tribunal de Justiça de São Paulo logo após o leilão das ações terminar com os credores da empreiteira como vencedores. Os fundos buscam a suspensão dos “procedimentos previstos no plano de recuperação judicial do grupo para viabilizar o exercício (ou o não exercício) do direito de preferência” até que todos os recursos interpostos contra o plano sejam julgados.
Na prática, tentam adiar o início da contagem dos 30 dias, prazo ao qual têm direito para decidir se ficam com a participação da OAS, ou se deixam as ações para os credores. Se não exercerem, os credores, diversos fundos abutres que têm os bonds da OAS Investimentos, torna-se se seus sócios na empresa.
Previ, Petros e Funcef alegam que exercer a compra sem que haja definição judicial sobre à validade do plano de recuperação pode causar “graves prejuízos”.
Na semana passada, o leilão do ativo terminou sem interessados. Acatando decisão do TJ-SP, o juiz a 1ª Vara de Falência e Recuperações Judiciais do TJ-SP, Daniel Carnio Costa, determinou que seria dado prosseguimento ao rito de venda, com a notificação dos acionistas, e que apenas a homologação da transação estaria condicionada ao julgamento dos recursos.
Se aceito, o pedido dos fundos para suspender todos os atos posteriores ao leilão pode adiar buscas de soluções para a situação financeira da Invepar. Tem muito investimento a fazer, mas carrega um endividamento elevado.
O Valor apurou que bancos se mostram reticentes a financiar a Invepar enquanto a OAS permanecer como sua acionista. A empreiteira foi investigada na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, que apura irregularidades em contratos de obras da Petrobras.
No fim do ano passado, a Invepar chegou a emitir R$ 2 bilhões em debêntures não conversíveis em ações para rolar as dívidas. Diante das dificuldades de captação, os acionistas (fundos) tiveram de garantir R$ 1 bilhão na operação. A Brookfield, que negociava a compra da participação da OAS, entrou com R$ 500 milhões e apenas os outros R$ 500 milhões foram subscritos pelos bancos. Foi uma dívida considerada cara, com taxa de IPCA mais 11,9% na oferta.
A escritura prevê resgate antecipado obrigatório em alguns cenários, como aumento de capital e venda de ativos ou participações societárias. No início do ano, a Invepar anunciou a contratação de assessoria para analisar oportunidades de venda da Línea Amarilla (LAMSAC), que detém no Peru. No mercado, a avaliação do ativo varia de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão.
O Valor apurou ainda que os fundos contrataram o Bank of America para avaliar alternativa para os fundos, entre elas, buscar um novo sócio para a Invepar. Procurada, a Previ informou que não faria comentário sobre o caso.
A holding encerrou o terceiro trimestre de 2015, última divulgação dos resultados financeiros, com uma dívida líquida de R$ 10,2 bilhões. A dívida bruta de curto prazo, então, estava em R$ 4 bilhões, enquanto o saldo de caixa e equivalentes e aplicações financeiras somava apenas R$ 1,2 bilhão.
A Invepar atua nos segmentos de rodovias, mobilidade urbana e aeroportos. Está no aeroporto de Guarulhos (em São Paulo), no MetrôRio e no VLT Carioca.
Em 2012, a controlada Concessionárias Auto Raposo Tavares, emitiu debêntures de infraestrutura no total de R$ 750 milhões, com prazo de 12 anos. A segunda série foi ofertada a IPCA mais 6,05%. Agora é negociada no mercado secundário a IPCA mais 8,99%. Além da alta da Selic, que impacta o mercado de dívida privada, o preço indica piora na percepção de risco da companhia. (Colaboraram Vinícius Pinheiro e Vanessa Adachi)
http://www.valor.com.br//empresas/4496402/fundos-tentam-postergar-compra-de-acoes-da-invepar
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