O silêncio dos bons – Nosso ponto de vista

Prezada Jornalista
ELIANE CANTANHÊDE
A respeito da coluna “O silêncio dos bons”, concordamos com a maior parte de suas colocações. Pelo menos no que diz respeito aos petroleiros, a maioria efetivamente calou. Assim como seus órgãos de classe, sindicatos e federações, foram realmente cooptados pelo sistema de poder que se instalou no país a partir da primeira vitória do Partido dos Trabalhadores nas eleições majoritárias, passando a agir como instrumentos do projeto de poder que tantos danos tem causado ao país.
No entanto, discordamos de que não tenha havido vozes que, de dentro da nossa categoria laboral, emitiram sucessivos alertas sobre os maus caminhos que estavam sendo trilhados. A senhora mesma refere uma tentativa de contato por parte de um engenheiro da Petrobras, ocorrida em 2011. Desculpe-nos se nossa conclusão é precipitada, mas provavelmente a senhora não deu maior atenção à angústia daquele nosso colega, que preferiu não se identificar. Tanto assim, que a senhora agora, à vista do que se tornou patente perante a nação, pede que ele faça novo contato.
Assim como aquele colega, um pequeno número tem feito nos últimos anos sucessivos contatos com muitos jornalistas dos principais jornais e revistas no país inteiro, sem receber qualquer atenção.
Temos a impressão de que para receber a atenção de um jornalista destacado, o interlocutor precisa pertencer às esferas do poder. O cidadão comum só tem vez quando se envolve com alguma tragédia que desperte a atenção da sociedade, portanto com potencial de vender um periódico ou ganhar audiência no rádio ou TV. Quando procura a mídia para relatar eventos do tipo que a senhora apontou, é recebido com frieza e indiferença, quando não é simplesmente ignorado ou mesmo rechaçado. Os jornalistas preferem falar com os mandatários. Os diretores dos sindicatos são ouvidos e ganham espaço, mas os sindicalizados são simplesmente ignorados. As altas autoridades têm espaço permanente. Seus subordinados não têm nenhum acesso, mesmo quando denunciam desvios como os relatados pelo nosso colega.
Nós sabemos do que estamos falando, pois sentimos na carne esse desprezo. O que hoje está vindo à tona sobre a má gestão nos fundos de pensão das estatais, em especial na nossa Petros, vimos denunciando há pelo menos cinco anos sem receber qualquer espaço na mídia. Todas as vezes que pensamos em pagar um “A pedido” tivemos que recuar perante os custos que nós, como assalariados ou aposentados, não poderíamos suportar. Para conseguir fazer alguma coisa em prol da correção desses desvios, entramos no corpo-a-corpo com os parlamentares para criar a CPI dos fundos de pensão. Fizemos a nossa parte, e conseguimos até que um dos nossos fosse convocado a depor. Com a mídia, quase nada conseguimos.
Esta é, infelizmente, a postura padrão dos jornalistas dos grandes órgãos de comunicação.
O jornalismo, em especial aquele seu nobre segmento investigativo, perde muito com isso, a senhora pode ter certeza. Aliás, esperamos sinceramente que a senhora, a essa altura de nossos comentários, já o tenha percebido. E nos pomos à disposição para contar-lhe, ou a quem a senhora indicar, muitas histórias interessantes.
Atenciosamente
Um grupo de petroleiros aposentados, cujos nomes e contatos seguem:
Abdo Gavinho
Domingos de Saboya
Sérgio Salgado
INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

Não perca nossas informações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!