Tecnologia do Mar do Norte pode ajudar setor no Brasil

Petroleiras instaladas no Mar do Norte estão investindo em novas técnicas de extensão da vida útil de campos antigos e de aumento da recuperação de óleo em poços em operação para aumentar a rentabilidade dos projetos, frente à dramática queda dos preços do petróleo. Com essa fórmula, que pode ser aplicada no cenário brasileiro, o custo médio de produção de petróleo na região deve cair 24% até o fim de 2016, de US$ 21 para US$ 16 o barril, de acordo com projeções da agência de óleo e gás natural do governo britânico.

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As soluções aplicadas no Mar do Norte são de grande interesse para o Brasil porque a produção naquela região tem perfil semelhante à da Bacia de Campos, ainda a principal produtora do Brasil, respondendo por 65% da extração total de óleo do país hoje. Os campos do Mar do Norte têm aspectos de profundidade, temperatura e pressão parecidos com os da Bacia de Campos e, além disso, as regiões são maduras e registram declínio de produção.

“Quando o preço [do petróleo] estava muito alto, as empresas decidiram fazer investimentos para tirar logo o óleo dos reservatórios. E quando o preço caiu, os engenheiros tiveram que rever os projetos, porque não havia economicidade. Muitos projetos foram postergados”, afirma Neil Gordon, presidente executivo da Subsea UK, entidade que reúne a indústria de equipamentos submarinos do setor petróleo do Reino Unido.

A prosperidade do segmento, que movimenta 9 bilhões de libras (o equivalente a R$ 50 bilhões) por ano, concentra mais de 750 companhias e emprega 53 mil pessoas no Reino Unido, está comprometida, com o derretimento do preço do petróleo, ao patamar próximo de US$ 30 o barril. O antídoto, segundo Gordon, é aumentar a produtividade dos campos existentes e ampliar parcerias entre empresas do setor, para reduzir custos.

A opinião do executivo é compartilhada por Daniella Carneiro, consultora independente que atende o UK Trade and Investment (UKTI), departamento do governo britânico que auxilia empresas estrangeiras para levar investimentos para o Reino Unido e apoiar companhias britânicas em operações em outros países. Nos últimos cinco anos, o UKTI apoiou negócios na área de petróleo entre Reino Unido e Brasil de 2 bilhões de libras (cerca de R$ 11,3 bilhões).

“As circunstâncias mundiais e o preço do petróleo mudaram. Mas eu diria que a oportunidade continua grande. Isso [crise do petróleo] vai gerar, talvez, menor quantidade de parcerias, mas de melhor qualidade”, diz Daniella.

A queda dos custos de produção no Reino Unido, segundo Gordon, já reflete a nova postura adotada pela indústria. No Brasil, o custo de extração (“lifting cost”) da Petrobras, em seu balanço do primeiro semestre de 2015, estava em US$ 14,36 o barril, sem a participação governamental. Estima-se que esse valor tenha recuado, principalmente devido ao aumento da produção no pré-sal, onde o lifting cost, segundo a estatal, é de US$ 8 a US$ 9 o barril, devido à alta produtividade dos poços da região.

As preocupações da indústria petrolífera global foram discutidas na última semana, durante a “Subsea Expo”, feira internacional sobre equipamentos submarinos, em Aberdeen, no Norte da Escócia, cidade com vocação para logística petrolífera assim como Macaé, no Norte Fluminense. O encontro contou com a participação de uma delegação brasileira, formada por empresas, instituições e governo, em uma missão organizada pelo consulado britânico no Rio de Janeiro.

No encontro, o UKTI e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançaram a primeira versão de um catálogo que reúne empresas de subsea. O objetivo é incentivar novas parcerias entre companhias, universidades e centros de pesquisa dos dois países. Na ocasião, também foi divulgada a nova política de conteúdo local em elaboração pelo governo brasileiro, cujo decreto foi publicado em janeiro.

É consenso, porém, que o momento da indústria ainda é delicado. Segundo Chris Bird, diretor da MOL Energy UK, braço do grupo energético húngaro MOL, o preço do petróleo Brent deverá ficar entre US$ 37 e US$ 46 neste ano e não deverá ultrapassar o patamar médio de US$ 60 até 2020. “Hoje temos 2,5 vezes mais reservas globais [de petróleo] do que tínhamos em 1980”, afirma. “O setor de petróleo está se movendo, mas não tão rapidamente quanto deveria”, completa o executivo, lembrando que o desafio do preço é complementado pelo aumento das exigências de redução das emissões de CO2.

Para o diretor de Gerenciamento de Produtos da gigante norueguesa do setor de óleo e gás Aker Solutions, Matt Corbin, se o preço não se recuperar rapidamente, novas mudanças de atitude das empresas serão necessárias para gerar valor com o ativo que elas possuem. “É preciso fazer mais com o mesmo”.

O repórter viajou a convite do consulado britânico no Rio de Janeiro.

http://mobile.valor.com.br/empresas/4428912/tecnologia-do-mar-do-norte-pode-ajudar-setor-no-brasil

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