Conselho começa a avaliar autuações contra a Petrobras por aporte na Petros de R$ 5,57 bilhões em 2008

A Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) começou a julgar ontem a validade de duas deduções de despesas operacionais realizadas pela Petrobras. Por ora, apenas um dos conselheiros votou, e de forma contrária ao pedido da companhia. A discussão foi suspensa por um pedido de vista e deverá ser retomada apenas em março.

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Os conselheiros discutem a manutenção de duas autuações recebidas pela Petrobras, uma de cerca de R$ 6 bilhões e outra de R$ 400 milhões, em valores atualizados, referentes a operações realizadas em 2007 e 2008 que diminuíram a base de cálculo do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre 0 Lucro Líquido (CSLL).

A maior das autuações se refere a um aporte de recursos de R$ 5,57 bilhões realizado pela Petrobras e outras mantenedoras na Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros), entidade fechada de previdência complementar. O valor foi provisionado e a Petrobras computou no resultado de 2008 como despesa operacional.

A Receita Federal defende que despesas operacionais dedutíveis são somente aquelas necessárias à atividade da empresa. E, no caso, segundo a autuação, a Petrobras teria realizado 0 aporte para que 0 dinheiro fosse repassado a ex-empregados e seus dependentes.

Para a fiscalização, 0 incentivo financeiro não era destinado a empregados da Petrobras e, portanto, não se trataria de despesa operacional, e sim de “mera liberalidade, um incentivo pecuniário, uma dedução não compulsória”.

O advogado da empresa, Marcos Neder, porém, defendeu na Ia Turma da Câmara Superior do Carf a necessidade do aporte. O valor teria sido repassado à Petros em decorrência de uma açãojudicial movida por funcionários contra a companhia. De acordo com 0 advogado, argumentavam no processo que a Petrobras não fez sua parte como mantenedora da Petros.

O valor estimado da ação era de R$ 10 bilhões. A empresa, concordou com alguns dos pleitos e resolveu fazer um acordo, 0 que deu origem ao aporte bilionário. Já a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) defendeu no conselho que 0 aporte não era necessário.

Na operação de 2007, a Petrobras realizou pagamentos a assistidos para que aderissem a um novo plano de previdência, 0 Petros 2. Nesse caso, os autos de infração cobravam, na época, R$ 118 milhões de IRPJ e R$ 43 milhões de CSLL, referentes ao cancelamento de despesa informada como operacional pela companhia. O valor atualizado chega a R$ 400 milhões, segundo 0 advogado.

Em sua manifestação, 0 relator dos processos, conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, representante da Fazenda Nacional, afirmou que as despesas não eram necessárias e, por isso, deveríam integrar a base de cálculo dos tributos.

Na sequência, a conselheira Cristiane Silva Costa, representante dos contribuintes, pediu vista para analisar melhor a discussão. Os processos devem voltar a julgamento em março, com o voto-vista e ser concluído com a manifestação dos outros oito conselheiros que compõe a Ia Turma da Câmara Superior. O voto do relator poderá ser alterado até a conclusão do julgamento.

 

http://www.valor.com.br/legislacao/4419304/conselho-comeca-avaliar-autuacoes-contra-petrobras

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