Estatal está disposta a sair de várias áreas para evitar capitalização

Apesar das reiteradas dúvidas do mercado sobre o sucesso na execução do plano de venda de ativos da Petrobras, a administração da estatal está confiante de que entregará a meta de desinvestir US$ 14,4 bilhões neste ano, o que permitirá que a companhia sustente seu plano de investimentos e pague o serviço da dívida até junho de 2017 sem aumentar seu já enorme endividamento, que hoje supera em cinco vezes o resultado medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) – nas empresas do setor, em geral usa-se capital próprio (equity) para investir; por isso, a alavancagem (relação entre dívida e Ebitda) nessas empresas é próxima de um.

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É a confiança no levantamento desses recursos, bem como na estratégia de corte de custos e despesas operacionais por meio da qual pretende economizar US$ 12 bilhões em quatro anos, que faz a cúpula da companhia rejeitar a ideia de que uma capitalização por parte do governo seja algo inescapável, como entendem muitos analistas de mercado.

Segundo uma fonte a par do assunto, não faz sentido a empresa recorrer ao Tesouro sem antes esgotar todas as alternativas que estão à disposição da administração, como vender ativos, reduzir investimentos, cortar despesas e demitir terceirizados. Uma ajuda da União só será requisitada se houver o entendimento de que a companhia está em risco, que não é o cenário com que o comando da estatal trabalha neste momento.

Embora a Petrobras já tenha uma lista definida das atividades das quais pode se desfazer para levantar recursos, não há qualquer veto a priori de área ou segmento de negócios para alienação de bens ou participações. Assim como na distribuidora de combustíveis BR, tudo onde a Petrobras possui 100% do capital será parcialmente vendido.

Alguns negócios podem ser integralmente alienados, como a malha de gasodutos, as unidades de fertilizantes e a fatia de 36% no capital total da Braskem.

Já em outros ativos a estatal deve manter participação, que não necessariamente precisará ser majoritária, como parecia ser uma condição há um ano, quando a nova diretoria e o novo conselho de administração assumiram.

A resistência cultural interna e externa ao programa de venda de ativos já estava na conta quando o objetivo de vender US$ 14,4 bilhões em ativos foi anunciado ao mercado, e portanto não poderá ser usada como desculpa para não se atingir a meta divulgada, diz uma fonte a par do assunto.

A visão estratégica é de que a empresa deve ter como foco a área de exploração e produção – o que não significa que ela seja intocável, pelo contrário, há interesse em fazer gestão de portfólio entre os campos – e também manter as refinarias, que podem ter fatias minoritárias vendidas a terceiros.

O sucesso em atrair sócios para o segmento de refino dependerá, contudo, de uma política mais clara para os preços dos combustíveis. Entre 2011 e 2014, a Petrobras teve prejuízos de dezenas de bilhões de reais por vender gasolina e diesel a um preço mais baixo do que pagava pelo produto importado no exterior. Atualmente, embora o compromisso oficial seja de paridade de preço, esses derivados são vendidos com prêmio sobre a cotação internacional, sem que haja um estudo para a redução dos preços.

Em recente relatório divulgado ao mercado, o analista Andre Natal, do Credit Suisse, listou dez desafios ou condições para que o preço atual das ações da estatal seja considerado justo (e não caro demais), entre os quais, estão a execução do plano de venda de ativos e corte de custos, a diminuição de investimentos, a rolagem de dívidas e o cumprimento das metas de produção – itens que estão sob controle da administração – e também o comportamento favorável do Brent, da taxa de câmbio e a ausência de novas surpresas negativas da Operação Lava-Jato.

A leitura dentro da empresa é que o relatório descreve bem a situação difícil da Petrobras, mas que a companhia tem as ferramentas para lidar com a parte que está sob seu alcance.

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