Fundo de Pensão Valia fecha 2015 com nono ano de superávit – 11,37%

Valia2Na contramão dos resultados de grandes fundos de pensão brasileiros, a Valia, que reúne funcionários da Vale, apresentou em 2015 seu nono ano consecutivo de superávit. O balanço do ano passado ainda precisa da aprovação do conselho deliberativo, mas conforme dados preliminares, a rentabilidade consolidada do fundo de pensão foi de 11,37%, pouco acima do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!
Os resultados positivos não foram suficientes, pelo terceiro ano seguido, para que a Valia batesse a meta atuarial, de 16,56% (INPC + 4,75%) em 2015.
Mas a presidente da Valia, Maria Gurgel, ressalta que os fundos de pensão possuem horizonte de longo prazo e, quando se olha os resultados nesse contexto, a situação é bastante confortável.
No acumulado de 15 anos, em dados consolidados, o fundo tem rentabilidade média anual de 17,3%, superior aos benchmarks de meta atuarial (13,20%); CDI (13,64%) e Ibovespa (7,21%).
“Os últimos três anos têm sido difíceis para os investimentos por uma situação conjuntural, com inflação em alta e bolsa em baixa. A meta de curto prazo é algo que perseguimos, estamos atentos a ela, mas nossa situação é confortável”, afirma Maria.
Ainda conforme dados preliminares, o patrimônio da Valia fechou 2015 em R$ 19,5 bilhões, São 120 mil participantes, 99 mil ativos. O maior fundo é o de benefício definido (BD) com R$ 10,9 bilhões. Fechado desde 2000, ele distribui, há oito anos, superávits que somam R$ 2 bilhões. Isso equivale dizer que os participantes, além dos 13 benefícios anuais (janeiro a dezembro e 13º salário), receberam mais 57, uma média de 6,33 benefícios extras ao ano.
Mesmo com a distribuição bilionária, o plano BD tem 127% de cobertura, ou seja, uma solvência bastante acima do necessário para cobrir o passivo.
Depois da aprovação do balanço de 2015, quando tiver o valor exato do superávit, a Valia vai definir como será a distribuição deste ano, já sob a mudança nas regras de equalização dos planos, que incluiu as características de solvência e “duration” de cada um na conta. “Ainda estamos estudando as novas regras para definirmos o que fazer. Desde 2008 pagamos 25% a mais no benefício e em alguns anos distribuímos bônus extras. Mas sempre discutimos essa distribuição com a associação dos participantes e o sindicato. Temos um grupo de estudos com representantes de todos, formado para tratar disso”, afirma Maria.
A estratégia desses últimos anos foi aumentar a exposição a títulos de renda fixa, em função da alta dos juros e da inflação, além de reduzir a participação em renda variável. Historicamente, a Valia operava com cerca de 25% do patrimônio em ações, mas em 2015 esse percentual caiu para 4%; ante 12% em 2014, e 17% em 2013. Não há mais participação relevante em ações da Vale, que têm machucado o resultado de algumas fundações. Apenas por meio de fundos passivos, atrelados ao Ibovespa.
Maria afirma que os investimentos em renda variável foram essenciais para que o fundo BD pudesse distribuir superávits nos últimos anos. “Somente com a renda fixa, não teríamos obtido esse resultado”, diz. Ela espera que a bolsa recupere o papel de diversificação de investimentos.
No acumulado de 15 anos, além da renda variável, que rendeu em média 18,91% ao ano, outros dois investimentos deram mais retorno para a Valia do que os 16,25% da renda fixa. Os empréstimos a participantes (18%), que representam 5% do patrimônio do fundo; e os imóveis, 10 empreendimentos comerciais no Rio e em São Paulo alugados, que renderam 19% em média ao ano e eram 6% do fundo.
Maria atribui os bons resultados aos sistemas de gestão e qualificação da equipe e a uma governança robusta e estruturada. A Valia fez uma baixa contábil do investimento na Sete Brasil, única operação que gera estresse entre seus participantes. A rentabilidade de 11,37% em 2015 já leva em conta essa baixa.
“À época em que o investimento foi feito, em 2010, o cenário era favorável à indústria de óleo e gás, houve participação dos principais bancos, BNDES e demanda da Petrobras. O que aconteceu com a petroleira foi totalmente imponderável”, diz. O investimento da Valia na Sete foi de R$ 200 milhões.
Para este ano, a estratégia focada em renda fixa está mantida, mas a equipe está atenta a mudanças de cenário. Dos R$ 10,9 bilhões do plano BD, 13% está em caixa, disponível para oportunidades de investimento de acordo com a política do fundo.

http://www.valor.com.br//financas/4404984/valia-fecha-2015-com-nono-ano-de-superavit

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

Não perca nossas informações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.