Carlos Lessa: “Sou inteiramente favorável a um investimento do governo na Petrobras”

Economista destaca importância da recuperação da estatal para o país

Thomas Badofszky, Jornal do Brasil
15/01 às 17h56 – Atualizada em 15/01 às 18h54

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O economista Carlos Lessa, em depoimento exclusivo ao Jornal do Brasil nesta sexta-feira (15), declarou seu apoio a um possível investimento de reserva cambial do governo na Petrobras para ajudar na recuperação da estatal, refém da queda drástica do preço do barril de petróleo e dos desdobramentos da Operação Lava Jato. Questionada a respeito na manhã desta sexta-feira (15) durante entrevista coletiva, a presidente Dilma Rousseff disse que o governo ainda analisa se adotará uma política de assistência financeira à maior empresa brasileira.

“Sou inteiramente favorável”, diz Carlos Lessa, ex-reitor da UFRJ. Em suas palavras, “bem ou mal, na trajetória brasileira de desenvolvimento, a Petrobras é um feito espetacular”.

O economista ressalta o papel vital da estatal na economia brasileira, e como sua recuperação é determinante para o futuro do país, mesmo com a desvalorização do petróleo: “A ideia de que o petróleo perde importância talvez seja verdadeira em tamanho real, mas a importância que hoje tem, por exemplo, o carvão, vai continuar. A Petrobras representa, portanto, variáveis possíveis para a expansão, não exclusivamente voltadas ao petróleo”.

Carlos Lessa: "Petrobras representa variáveis possíveis para a expansão, não exclusivamente voltadas ao petróleo”Carlos Lessa: “Petrobras representa variáveis possíveis para a expansão, não exclusivamente voltadas ao petróleo”

Nesta semana, a Petrobras anunciou cortes drásticos nos planos de investimento e de produção para o período entre 2015 e 2019, buscando se adequar ao mercado. A redução de US$ 32 bilhões no orçamento correspondente (a projeção inicial era de US$ 130,3 bilhões, agora é de gastos em US$ 98,4 bilhões) significa não apenas mais cortes de gastos e desemprego na estrutura da própria empresa, mas também fortes abalos em indústrias e empresas que dependem de contratações da Petrobras para sobreviver. Vários setores, portanto, já sofrem com números cada vez mais altos de demissões. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou hoje que a taxa de desemprego chegou a 9% no trimestre que se encerrou em outubro de 2015.

A estatal encontra-se acuada devido às investigações da Operação Lava Jato e à crescente queda do preço dos barris de petróleo, que hoje já eram vendidos abaixo de US$ 30. Com o iminente levantamento do embargo econômico internacional ao Irã, e a entrada no mercado, já saturado, de milhões de barris iranianos antes bloqueados, a situação tende a piorar ainda mais.

É fundamental, portanto, que a recuperação da Petrobras se realize o mais rápido possível. A queda da maior empresa do país representa a paralisação do desenvolvimento e o corte cada vez maior de postos de trabalho, resultando em um aumento exponencial de desempregados. Caso medidas não sejam tomadas, o efeito em cadeia já começou e pode custar caro ao país.

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