Transpetro cancela onze encomendas do EAS

Transpetro cancela onze encomendas do EAS

Poucos dias após confirmar o cancelamento de duas encomendas feitas ao estaleiro Vard Promar, localizado em Pernambuco, a Transpetro desistiu da compra de onze petroleiros contratados com o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), também instalado no Estado nordestino.

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O corte representa metade do contrato, que prevê a construção de 22 petroleiros ao custo global de US$ 3,4 bilhões. Segundo apurou o Valor, o cancelamento já foi informado à direção do EAS, que tem como sócios os grupos Camargo Corrêa e a Queiroz Galvão, além da japonesa IHI.

A decisão da Transpetro, braço logístico da Petrobras, coloca uma nuvem cinza sobre o futuro do estaleiro, inaugurado em 2010 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um dos principais símbolos do ressurgimento da indústria naval.

Os problemas que agora se refletem na demissão de quase 8 mil trabalhadores começaram há bastante tempo, com os grandes atrasos nas primeiras entregas do EAS. O primeiro navio feito em Pernambuco, batizado de João Cândido, ficou pronto dois anos após o prazo combinado.

A justificativa dada na época foi de que a empresa passava por uma curva de aprendizado, visto que precisou treinar milhares de trabalhadores que jamais tinham exercido funções parecidas, como cortadores de cana e pequenos agricultores.

Quando os primeiros navios já tinham sido entregues, veio um novo baque. A Operação Lava-Jato inviabilizou a saúde financeira da Sete Brasil, o que resultou na rescisão, em fevereiro deste ano, de um contrato de US$ 6 bilhões com o EAS para a entrega de sete sondas de perfuração.

Restavam ainda os 22 petroleiros da Transpetro. Com o cancelamento de metade da carteira, sobraram apenas quatro navios, visto que sete já foram entregues. O EAS está em férias coletivas desde o início de dezembro e o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), tem cobrado explicações da Petrobras.

Instalado no Complexo Portuário de Suape, que fica 50 km ao sul do Recife, o EAS chegou a ter 10 mil trabalhadores em seus galpões, mas conta agora com pouco mais de 2 mil. Por meio de sua assessoria de imprensa, o estaleiro alegou que não foi informado oficialmente sobre o cancelamento das encomendas.

Na semana passada, o Vard Promar, que também fica em Suape, foi informado do cancelamento das encomendas de dois navios gaseiros. Sócios da empresa informaram que ingressaram com ação judicial pedindo reequilíbrio do contrato com a Transpetro e admitiram que terão que demitir em 2016.

O cenário não é muito diferente no resto do país. De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval (Sinaval), cerca de 20 mil empregos já foram perdidos no setor desde o ano passado, número que deve crescer com as demissões anunciadas recentemente nos estaleiros Eisa e Brasfels, ambos no Rio de Janeiro.

A Transpetro – que confirmou na semana passada os cancelamentos do Vard Promar -, informou por meio de sua assessoria que não irá se manifestar sobre os cortes na carteira do EAS.

http://mobile.valor.com.br/empresas/4363084/transpetro-cancela-onze-encomendas-do-eas?utm_source=newsletter_manha&utm_medium=18122015&utm_term=transpetro+cancela+onze+encomendas+do+eas&utm_campaign=informativo&NewsNid=4361862

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