As 72 horas que mudaram o BTG

—-
VEJA MERCADOS EXPRESS: As 72 horas que mudaram o BTG
// VEJA Mercados

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

The deal

BTG e Bradesco passarão o fim de semana conversando sobre a venda do braço de gestão de recursos do banco de André Esteves, uma transação que injetaria caixa no banco e o ajudaria a sobreviver. A negociação não inclui os ativos geridos pelo BSI — o banco suíço que o BTG comprou, e que o BTG computa como ‘wealth under management’ — apenas os ativos sob gestão e administração, que montavam a 230 bilhões de reais no fim do terceiro trimestre e que sofreram resgates nos últimos três dias.

Uma grande motivação para o Bradesco comprar seria o fato de que os valores sacados do banco nos últimos dias estariam indo majoritariamente para o braço de gestão do Itaú, conforme a evidência empírica relatada por vários participantes do mercado.

Muita gente acha que o Bradesco deveria comprar toda a operação bancária, separando e deixando os investimentos de private equity com os atuais sócios do BTG.

“O Itaú tem uma máquina fabulosa chamada Itaú BBA,” diz um veterano de mercado que fez a vida em bancos de investimento. “Para o Bradesco, seria uma oportunidade única, num contexto de crise, de comprar uma operação de banco de investimentos extremamante competitiva que ele nunca conseguiu construir com o Bradesco BBI.”

Mais: “Eu manteria o banco de investimentos do BTG absolutamente separado do Bradesco (até a logomarca) e colocaria um CEO da cultura Bradesco para vigiar, mas deixaria as pessoas trabalharem do jeito que fazem hoje. Banco de investimentos é liberdade e criatividade.”

A mesma praça.. o mesmo banco…

Tanto a entrevista de Persio Arida ao Valor de sexta-feira quanto o comunicado que o banco enviou aos clientes tentaram separar, diplomaticamente, o futuro do banco do futuro de Esteves. Mas teve gente que já viu esse filme.Boopo Persio Arida

Diz um ex-sócio do antigo Banco Pactual: “Substancialmente, é o mesmo texto de 15 anos atrás atualizado pelo tempo. Eu já vi esse filme antes: os sócios o expulsam, fazem críticas severas a ele nos bastidores chamando-o de louco e irresponsável, ele vai embora e vive para sempre tentando uma tacada que o levará de volta ao topo. Basta ver o ‘Sr. Esteves’ no texto que publicaram para confirmar que vai ser exatamente como está dito aí. Mas já começou.”

O risco desconhecido

Entre os funcionários do BTG, vítimas colaterais da prisão de Esteves, a grande esperança é de que não se comprove nenhuma operação financeira ilícita na qual o banco esteja envolvido. Mas, dado o foco da Lava Jato sobre a teia de relações corporativas e governamentais de seus investigados, a esperança de muitos funcionários faz jus àquela fama de ser a última que morre.

Na oferta de 50 mil reais/mês feita pelo Senador Delcídio Amaral à família de Nestor Cerveró caso o ex-diretor da Petrobras não implicasse nem Amaral nem Esteves, a grana viria de onde? “Ao menos parte desses recursos seria dissimulada na forma de honorários advocatícios a serem convencionados em contrato de prestação de serviços de advocacia entre André Esteves e/ou pessoa jurídica por ele controlada (grifo da coluna) com o advogado Edson Ribeiro,” escreveu o Procurador Geral da República no pedido de prisão de Esteves.

Aparentemente, o dinheiro não chegou a ser pago, mas considerando-se a estrutura proposta, no banco e no mercado a grande pergunta é se Esteves já usou o banco para fazer pagamentos escusos. “Se a PF achar uma prova sequer disso, isso joga o banco no meio do turbilhão; por enquanto, este é um ‘problema André Esteves’,” diz um advogado que conhece bem o banco. “Mas se descobrirem que o BTG foi usado, a coisa muda de figura.”

Ruim sem ele; pior com ele

Dentro do banco, muitos sócios já torcem discretamente para que Esteves permaneça preso. “O estrago da prisão já foi feito. Se ele for solto, tem a chance de querer retomar, ‘matar no peito’ e isso pode criar mais problemas para o banco, mas se ele ficar preso mais cinco dias, o fim dele já estará sacramentado,” diz uma fonte do banco.

Vale de lágrimas

Marcelo Kalim reuniu cerca de 30 sócios e fez um discurso emocionado na sede do BTG na sexta à tarde. Chorando, bateu no peito e disse: “O banco não vai acabar, não pode acabar, todos temos que lutar.” Kalim é um dos sócios-fundadores e CFO do banco.

‘Teje preso’

ANDRE-ESTEVES2Opinião de um respeitado advogado de São Paulo que tem cliente na Lava Jato. “É mais fácil o mar secar do que o Esteves ser solto segunda-feira. A [prisão] temporária será renovada por mais cinco dias e possivelmente se tornará preventiva porque o Esteves é o banqueiro de tudo, e é um cara que é fácil de quebrar num interrogatório pesado. A PF vai aproveitar a oportunidade para puxar todos os fios da meada financeiros dessa confusão toda.”

Ainda segundo ele, a prisão de Bumlai um dia antes teve por objetivo evitar que eles combinassem depoimentos. “Bumlai mais Esteves é igual a Lula.”

Ouro de tolo

Nas negociações para uma eventual venda do banco, o medo dos sócios menores do BTG é de que o banco seja vendido abaixo de seu valor patrimonial (o ‘book value’).

Isso criaria um rombo para o patrimônio pessoal de muitos destes sócios, que compraram ações do banco e foram financiados por ele.

Como a regra da sociedade do banco estabelece que os sócios compram e vendem ação do banco a valor patrimonial, não importando o valor em Bolsa, as ações destes sócios menores foram compradas a valor patrimonial.

O difícil, sob as circunstâncias atuais, é conhecer o valor real do patrimônio do BTG. “Acreditar no book do banco a esta altura virou uma questão de fé,” diz um gestor.

Game over

De um ex-sócio do BTG, entristecido com o que está acontecendo:

“O BTG, como a gente o conhece, morreu três dias atrás. Entre os problemas de ‘funding’, que estão aumentando, a identificação do banco com o André e a incerteza com relação ao valor dos ativos do banco dada a potencial contaminação dos investimentos de private equity, as coisas mudaram para sempre.”

Sobre o private equity, esta fonte nota que, ainda que os investimentos tenham sido feitos pela companhia de investimentos (e não pelo banco em si), o banco é credor de muitas das empresas. Se elas quebram, o balanço do banco sofre.

Redefinindo conceitos

Ao assistir, ao vivo na GloboNews, Esteves sendo transferindo para um presídio no Rio, um outro ex-sócio do banco concluiu:

“Riqueza verdadeira é dormir na sua própria cama.”

Perto do sol

“Quanto mais próximo do sol ele ficou, mais ele se sujeitou a se queimar,” diz um gestor que já teve negócios com o BTG.

—-

Shared via my feedly reader

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

Não perca nossas informações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.


Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading