- Humberto Pires Grault Vianna de Lima, ex-gerente de novos projetos da Petros;
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Luis Carlos Fernandes Afonso, ex-diretor financeiro e de investimentos, nomeado em 2003 e depois nomeado presidente da Petros, em 2011, cargo que ocupou até fevereiro de 2014. Foi condenado em primeiro grau por improbidade sob a acusação de ter cobrado ‘pedágio’ de uma fundação para que ela ganhasse um contrato na Prefeitura de São Paulo, em 2003. Na época, ele era secretário de Finanças do governo Marta Suplicy (PT). A condenação é de 2012 e está em fase de recurso.
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A Polícia Federal acredita ter conseguido fechar o ciclo de uma transação que teria envolvido o pagamento de propina de R$ 500 mil a dois diretores do fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, feito com empresas do ex-deputado federal José Janene (PP-PR), morto em 2010, e do doleiro Alberto Youssef – um dos alvos centrais da Operação Lava Jato – e que causou prejuízo de R$ 13 milhões ao órgão. No computador de Youssef, há uma pasta com 12 arquivos referentes aos negócios do doleiro com a Petros.
O negócio teria sido intermediado, segundo suspeita a PF, pelo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e tratado diretamente com dois diretores da Petros – indicações petistas, entre eles o ex-presidente do fundo Luiz Carlos Fernandes Afonso (2011-2014).
A PF registra a possível interferência de um político não identificado “de grande influência na casa” na liberação de um seguro, em órgão do Ministério da Fazenda, que era condicionante para a transação. “Esse recurso foi desviado para pagamento de propina para funcionários da Petros”, afirmou Carlos Alberto Pereira da Costa, advogado que, segundo a PF, atuava como testa de ferro de Alberto Youssef.
Costa tinha em seu nome pelo menos duas empresas usadas pelo doleiro, uma delas envolvidas nessa transação com a Petros, a CSA Project Finance. Ele afirmou ao juiz Sérgio Moro que na operação foi retirada uma propina de R$ 500 mil que serviu para pagar os dois diretores da Petros.
Em sua fala, o o advogado Carlos Alberto Costa ainda confirmou que, dos R$ 13 milhões investidos pela Petros na Indústria de Metais do Vale (IMV), cerca de R$ 3 milhões foram desviados para pagamento de propinas. Segundo ele, o dinheiro desviado teria sido sacado pela companhia e entregue a Claudio Mente, empresário que, segundo ele, seria ligado a Vaccari, o qual teria intermediado negócios com o fundo da Petrobras.
Carlos Costa afirma que entrou como sócio da “CSA Project Finance Consultoria e Intermediação de Negócios Empresarias em 2006 e o primeiro negócio se tratava de uma operação envolvendo a Indústria Metais do Vale (IMV) e relativa ao pagamento de propina para funcionários da PETROS, administradora do fundo de aposentadoria complementar/pensão da Petrobras”.
Um dos beneficiados com esta propina, diz Carlos Costa, foi Humberto Pires Grault – um dos diretores da PETROS. O braço direito de Youssef também cita no depoimento o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto: “recorda-se ainda que João Vaccari esteve várias vezes na sede da CSA, possivelmente a fim de tratar de operações com fundos de pensão”. Ele cita ainda contratos “frios” entra a empresa de Youssef e a construtora Mendes Júnior. “a GDF (empresa do doleiro) não tinha condições de prestar este tipo de serviço, servindo apenas para justificar transferências financeiras”.
Carlos Costa diz ainda que Adarico Negromonte, irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (PP), e Rafael Angulo eram “quem fazia transporte de dinheiro para Youssef sabendo que em determinada oportunidade os mesmos foram para o Peru levar dinheiro em espécie”.
Citados
Os diretores da Petros são petistas e já citados em outros dois escândalos, segundo registra a PF. “As negociações eram realizadas pelo lado da Petros pelo senhor Humberto Pires Grault Vianna de Lima, gerente de novos projetos da Petros, e pelo senhor Luis Carlos Fernandes Afonso, diretor financeiro e de investimentos.”
Afonso foi nomeado diretor em 2003 e depois nomeado presidente da Petros, em 2011, cargo que ocupou até fevereiro de 2014. Lima era diretor de Novos Projetos e foi nomeado diretor de investimento da Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal (Funpresp).
O ex-presidente da Petros foi condenado em primeiro grau por improbidade sob a acusação de ter cobrado ‘pedágio’ de uma fundação para que ela ganhasse um contrato na Prefeitura de São Paulo, em 2003. Na época, ele era secretário de Finanças do governo Marta Suplicy (PT). A condenação é de 2012 e está em fase de recurso.
Ferro velho
A transação na Petros envolveu a compra de título de crédito emitido por uma empresa falida que havia sido adquirida por Janene e por Youssef. A Indústria de Metais Vale (IMV) foi criada para reciclar ferro velho e vender o material para siderúrgicas, mas estava parada. Ela foi registrada em nome do advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, réu da Lava Jato.
Com a empresa falida, o grupo aportou nela R$ 4 milhões em 2007 e firmou contrato com a CSA Project Finance, que é do doleiro e está em nome de Costa também – para que essa fizesse um projeto de recuperação e captasse recursos antecipados. Para isso, fechou um contrato de venda com recebimento antecipado de uma grande siderúrgica nacional.
“Com o objeto de antecipar recebíveis oriundos de um contrato de compra e venda de ferro gusa (sucata), celebrado entre a IMV e a Barra Mansa, assim adquirindo investimento necessário para a instalação de uma planta industrial, a IMV emitiu Cédula de Crédito Bancário, no montante total de R$ 13.952.055,11”, diz a PF.
Os termos da cédula de crédito estão no HD do computador de Youssef. Com o título de crédito emitido pelo Banco Banif Primus, o grupo, via CSA e coligados, passou a tratar com os diretores da Petros a compra pelo fundo de pensão.
Documento apreendido pela Lava Jato com o grupo mostra que eles teriam sido recebidos na Petros pelo então diretor, que depois virou presidente.
Vaccari é suspeito de ser o intermediador dos negócios do grupo com a Petros.
No capítulo sobre a compra do título de crédito da empresa IMV há um histórico sobre suas relações com o partido. Seu nome foi citado na confissão dos réus como elo de pagamentos de propinas em outras áreas e especificamente na Petros em um e-mail interceptado entre os alvos da Lava Jato.
Esclarecimentos da Petros sobre Indústria Metais do Vale (IMV)
O investimento na Indústria Metais do Vale (IMV) foi realizado em 2006, baseado em análise econômico-financeira que identificou o potencial do negócio, cujos pagamentos de recebíveis oferecia rentabilidade de IGP-M mais juros de 11,5% ao ano. O contrato previa a construção da planta industrial em terreno de propriedade do Grupo Votorantim, um dos parceiros do projeto, o que foi fundamental na decisão da Petros de entrar no investimento. Além disso, o contrato também previa a compra de 100% do ferro gusa produzido pela IMV pelo próprio Grupo Votorantim.
Em meados de 2007, quando o projeto de implantação da siderúrgica começou a enfrentar dificuldades, principalmente na operação do forno em escala industrial, a Petros contratou uma consultoria externa para a realização de due diligence técnica nas instalações. As alterações apontadas foram prontamente observadas e atendidas pela IMV.
No mesmo ano, a Fundação também determinou a realização de auditoria por meio da empresa PWC, que solicitou à IMV o envio das notas fiscais referentes às aquisições dos bens da planta industrial e às despesas com mão de obra para instalação do parque industrial. Por conta do descumprimento do envio dos documentos para a auditoria, a Petros declarou, em 2008, o vencimento antecipado da dívida e exerceu as garantias no contrato do investimento em questão, que atualmente representa 0,02% da carteira total da Petros.
Este ano, foi criada uma comissão interna na Petros para avaliar o processo de investimento em IMV. Foram ouvidos tanto os empregados da Fundação quanto os de patrocinadoras que participaram do Comitê que analisou o investimento na ocasião. Nenhum deles relatou qualquer tipo de pressão para a aprovação do investimento. Também não foi identificada qualquer outra ilegalidade no processo.
Estes esclarecimentos se tornam necessários, em função das últimas notícias publicadas a respeito do investimento. A Diretoria da Petros está acompanhando o andamento das investigações dos órgãos competentes e tomará as devidas providências caso seja constatado que foi adotado algum comportamento de empregados ou ex-empregados em desacordo com os padrões éticos da Fundação.
Fontes:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/179176-fundo-de-pensao-perdeu-r-21-mi-em-negocio-com-doleiro.shtml
http://oglobo.globo.com/economia/investigacoes-provocam-crise-em-fundo-de-pensao-da-petrobras-15343297
http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/politica/2015/10/27/interna_politica,606655/youssef-ouvi-dizer-que-vaccari-era-um-dos-operadores-de-alguns-fundos-de-pensao.shtml
http://www.bemparana.com.br/karlos/depoimento-bomba-braco-direito-de-youssef-resolve-contar-tudo-que-sabe-e-viu-para-a-pf/
https://www.petros.com.br/PortalPetros/faces/Petros/arqnot/not?_adf.ctrl-state=19h1o4ehbn_4&content=WCC027231&_afrLoop=1326526813931359
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