Bahia ameaça ir à Justiça para barrar venda da Gaspetro

Após obter a aprovação para compra de participação minoritária na Gaspetro, a japonesa Mitsui já enfrenta resistência dos futuros sócios. O governo da Bahia, sócio majoritário da Bahiagás, uma das empresas com participação da Gaspetro, ameaça ir à Justiça para barrar o negócio ou, pelo menos, evitar que a japonesa tenha assento no conselho de administração e indique diretores para a concessionária de distribuição de gás. A Mitsui, entretanto, já mira em novos negócios no País, como a aquisição de um terminal logístico que atende a Petrobras, em Niterói.

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A compra de 49% da Gaspetro foi aprovada pelo conselho de administração da Petrobras na última sexta-feira. Com a aquisição, a Mitsui aumentará a participação em distribuidoras estaduais de gás de oito para 19 empresas. O temor do governo baiano é que a Bahiagás passe a ser pautada pelo interesse de pagamento de dividendos e não mais por motivações sociais e de desenvolvimento econômico. Juntos, o governo da Bahia, a Petrobras (por meio da Gaspetro) e a Mitsui controlam a distribuidora.

“Não sei o valor do negócio, mas tenho certeza que, se tivéssemos sido procurados, poderíamos procurar outros investidores que já não fossem sócios, que não fosse a Mitsui”, disse Marcos Cavalcanti, presidente do conselho de administração da Bahiagás e secretário estadual de Infraestrutura. Segundo ele, o Estado não foi procurado para discutir o negócio e soube da venda pela imprensa. Na Justiça, o argumento que deve ser apresentado pelo governo estadual é que o negócio contrariou o acordo de acionistas por não respeitar o direito de preferência do Estado na compra das ações.

O secretário dá o exemplo de alguns investimentos, como a ampliação da malha de gasodutos no sul do Estado, que poderiam ser afetados caso o negócio entre Mitsui e Gaspetro seja aprovado pelos órgãos reguladores. Para que qualquer investimento seja aprovado pelo conselho, deve haver consenso entre os três sócios. Segundo Cavalcanti, a Mitsui resiste a financiamento para a obra. Sem o empréstimo, a ampliação da rede seria adiada, apesar do projeto de engenharia já ter sido contratado.

Além da Bahia, também o Distrito Federal sinalizou que poderia questionar a negociação. A Federação Única dos Petroleiros (FUP), entidade que reúne diversas representações sindicais, também já estuda uma ação judicial contra o negócio, alegando conflito de interesses entre as empresas. A Mitsui é uma das principais acionistas da Vale, uma das principais clientes da Petrobras.

Logística

A japonesa tem mais de 400 anos e atua em mais de 50 países. No País, a Mitsui está presente desde a década de 60. A estratégia da empresa, agora, é consolidar a atuação em toda a cadeia de gás, podendo inclusive importar o produto de áreas onde é produtora. O próximo alvo da companhia é o terminal de logística da Wellstream, com 55 mil metros quadrados para serviços de carga, descarga e armazenamento de suprimentos à atividade da Petrobras nas bacias de Santos e Campos – também em áreas do pré-sal.

A japonesa apresentou proposta para compra de 49% do terminal, formando uma joint venture com a GE Óleo e Gás. A proprietária, por sua vez, continuaria com o braço de engenharia e fabricação de dutos flexíveis da Wellstream. A proposta chegaria a US$ 85 milhões, segundo fontes próximas à negociação. A Mitsui também teria demonstrado interesse em ampliar participação na nova joint venture de logística – podendo até mesmo assumir o controle acionário.

O terminal foi construído em contrapartida a um contrato de longo prazo no valor de US$ 200 milhões assinados com a Petrobras, em 2011, para “dar suporte ao desenvolvimento do pré-sal e projetos de campo de gás”, segundo comunicado da época. Segundo fontes, a venda dependeria apenas de aprovação da GE Óleo e Gás. A empresa informou, em comunicado, que não comenta especulações de mercado. “A companhia esclarece que o setor de óleo e gás continua sendo estratégico para a GE no Brasil e, por isso, não iniciou e não pretende iniciar nenhum processo relevante de desinvestimento de seus ativos de óleo e gás no País”, completou.

Já a Mitsui divulgou em seu site um comunicado a investidores sobre a compra da Gaspetro. Na nota, a empresa indica que desde 2006 trabalha para “melhorar a infraestrutura de distribuição de gás no Brasil”. A empresa avalia que a “demanda de gás deverá crescer em sintonia com o desenvolvimento econômico em todas as regiões”. “A Mitsui vai usar o conhecimento e experiência adquirida para contribuir para os negócios relacionados com a energia através das suas operações de distribuição de gás no Brasil em parceria com a Petrobras e os governos estaduais”, diz o comunicado.

https://br.noticias.yahoo.com/bahia-amea%C3%A7a-ir-%C3%A0-justi%C3%A7a-barrar-venda-gaspetro-225700728–finance.html

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