“Esquema de lavagem dessa fase da Lava Jato é muito mais sofisticado”, diz PF sobre operação que envolve Odebrecht e Andrade Gutierrez

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“Esquema de lavagem dessa fase da Lava Jato é muito mais sofisticado”, diz PF sobre operação que envolve Odebrecht e Andrade Gutierrez
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Escritório da Odebrecht em São Paulo (Foto: Zeh Campos)Escritório da Odebrecht em São Paulo (Foto: Zeh Campos)

Em entrevista coletiva concedida na manhã desta sexta-feira (19/06) a Polícia Federal afirmou que a 14ª fase da Operação Lavo Jato, deflagrada hoje, releva um alto nível de sofisticação no esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empreiteiras e a Petrobras. O foco de hoje eram operações envolvendo a Odebrecht e a Andrade Gutierrez. Os presidentes das duas empreiteiras foram presos. “Nas empreiteiras anteriores, os relacionamentos denunciados envolviam o Alberto Youssef e as empresas dele. Eram esquemas fáceis de se comprovar, porque eram no Brasil. Mas agora, o esquema de lavagem com o que nos deparamos é de depósitos no exterior”, afirmou Carlos Fernando dos Santos Lima, procurador do Ministério Público.

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Para conseguir rastrear essas movimentações financeiras, a PF afirmou que teve um apoio muito grande de autoridades no exterior e uma série de colaboradores que indicaram os valores e caminho da contas. Com essa documentação, foi possível pedir a prisão dos executivos. “São contas no exterior que foram utilizadas para pagamentos de diretores e gerentes da Petrobras. Nós sabemos que quase 100% dos valores depositados no exterior, segundo Paulo Roberto da Costa, eram oriundos da Odebrecht”. Segundo a investigação, as empreiteiras utilizavam empresas offshore para realizar o esquema de lavagem de dinheiro. Foram encontradas contas das empreiteiras na Suíça, Panamá e Mônaco.

Os contratos suspeitos da Andrade Gutierrez com a Petrobras têm valor estimado em R$ 9 bilhões, enquanto os da Odebrecht são de R$ 17 bilhões. “Tirando por base os 3% de propina que os delatores sempre citam, daria quase R$ 210 milhões de propina pagos pela Andrade e R$ 510 milhões pela Odebrecht”, afirma o delegado Igor Romário de Paula, da Polícia Federal do Paraná.

“Os presidentes sabiam”

A Polícia Federal afirma ter reunido documentos e até notas que trazem “indícios bem concretos” de que os presidentes da Odebrecht e Andrade Gutierrez tinham profundo conhecimento sobre os esquemas de propina e crimes de cartel e fraudes nas licitações. “Temos documentos comprovando que, em algum momento, eles tiveram contato e participação em negociações que resultaram em atos que levaram à formação de cartel, direcionamento nas licitações e destinação de recursos para pagamento de recursos”, afirmou Lima.

Nos últimos meses, a Odebrecht e a Andrade Gutierrez negaram sistematicamente envolvimento no cartel e esquema de propinas na Petrobras. Mas a PF afirmou hoje que “não há dúvidas de que as duas empreiteiras capitaneavam o esquema de cartel dentro da estatal”. “As empresas agora não podem passar por inocente diante de tantas provas”, disse Santos. Segundo o procurador, a insistência em negar envolvimento só mostra que elas estavam realmente envolvidas.

Com documentos e dados de até quinze anos atrás, a Polícia Federal afirma que a denúncia criminal e completa da Lava Jato envolverá acusações a mais de 200 pessoas, envolvendo 20 empresas. A PF acredita que o esquema de cartel na Petrobras foi estabelecido por volta de 2004, “com tentativas desde 2002”.

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