A anatomia de uma quebra

Empiricus – M5M PRO

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00:29 – A explicação não oficial

Assunto do dia, Petrobras frustrou o mercado pela milésima vez, e apresentou dados operacionais não auditados e nenhuma baixa contábil relacionada ao esquema de corrupção.

Há uma série de desdobramentos relevantes aqui. Abordaremos um a um.

O primeiro deles é enfático.

Por que Petro não efetuou as baixas contábeis?

A explicação oficial é porque ela mesma não consegue mensurar, o que por si só já atende a um primeiro anseio: a questão é mais complexa do que o mercado – que esperava um dado conciso para ontem, e o comprou – julga imaginar. Portanto, o mercado ainda o subestima.

Ou, explicação não oficial, pois baixas contábeis são subjetivas, e ela provavelmente nem pode efetuar.


01:12 – Explico…

Nas entrelinhas do demonstrativo, você encontra, em notas explicativas, algumas contas iniciais, como a consideração dos 3% de propina que a delação premiada de Paulo Roberto Costa indicou.

Ao citar isso, a companhia reconhece a existência de tal monta; que, por si só, geraria uma baixa de R$ 4 bilhões nos contratos que Petro considerou. Reforçando: esse valor somente com o pedágio do PRC.

Mas…

No próprio terceiro trimestre, Petrobras assumiu perdas de R$ 2,7 bilhões resultante da desistência dos projetos Premium I e II.

Petrobras está reavaliando os seus projetos. Com a nova realidade de preços do petróleo, há uma série de projetos na mira.

Agora, imagine quando vierem ajustes relacionados a Comperj, Pasadena ou da refinaria Abreu e Lima, cujo orçamento passou de US$ 2,4 bilhões previstos para atuais US$ 18,8 bilhões empregados.

Isso nos leva a crer que o buraco é bem mais fundo…

Interlocutores da empresa afirmaram à Bloomberg que a estimativa de baixas contábeis da reunião circulava em R$ 88 bilhões.

Uma baixa desse tamanho naturalmente teria um impacto tremendo sobre o valor patrimonial de uma empresa cujo valor de mercado atual é de R$ 128 bilhões.

Teria consequências desastrosas aos investidores que tomam o desconto das ações sobre o valor patrimonial como – talvez o único – argumento para considerar o preço dos papéis barato.

E arruinaria por completo os índices de alavancagem da estatal – veja, por exemplo, que a relação dívida líquida/patrimônio da empresa já está em 43%, acima do limite de até 35% do Plano de Negócios da estatal.

A grande questão é que esse processo é muito mais subjetivo do que parece. Não há uma conta exata e inequívoca para as baixas contábeis. Vai da metodologia e dos ativos que a empresa resolver por ela mesma ajustar.

Com prováveis desdobramentos como os citados, o que nos leva a crer ela efetuará imediatamente uma baixa contábil desta monta?

Mas é claro que há um custo nisso… Sempre há. No caso, é a ausência de parecer dos auditores.

02:48 – Pausa importante

Nos últimos dias, as famosas “fontes relacionadas” com a empresa ou com o governo falaram à imprensa sobre baixas de menos de R$ 10 bilhões, R$ 10 bilhões, US$ 20 bilhões, agora R$ 88 bilhões…

Isso obviamente alimentou uma volatilidade tremenda das ações nos últimos dias. Ontem mesmo os papéis foram de forte desvalorização para motor da Bolsa diante de rumores disseminados.

Nada que surpreenda o histórico de Petro, vide o habitual vai-não-vai do discurso oficial sobre os reajustes no preço dos combustíveis, ou mesmo dos prováveis salvadores da pátria ilibados que ingressarão no Conselho da companhia.

Dada a recorrência desses ruídos de falha de comunicação com o mercado, e enorme impacto sobre o preço das ações, haveria de se ter maior investigação dos órgãos reguladores.

03:11 – A anatomia de uma quebra

Voltando à baixa contábil…

Petro lucrou R$ 3,08 bilhões no terceiro trimestre do ano passado, mas, isso, sem reconhecer nenhuma baixa contábil. Parece ter aprendido com o governo, seu principal acionista, como ter um “superávit” desconsiderando todas as contas que lhe imporiam déficit.

A propósito, quem barrou a divulgação das baixas pela empresa?

Para quem achava que o Guido está sumido…

Com um impacto de R$ 88 bilhões, esse “lucro” seria outro.

Mais do que isso, se por um acaso a Petro reconhece uma baixa de R$ 88 bilhões, a empresa entregaria lucros dos últimos três anos de operação em uma tacada só.

Alguma semelhança com “The Anatomy of a Blow-Up” , o peru de ação de graças de Nassim Taleb???

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